domingo, 14 de dezembro de 2008

Melhores Álbuns de 2008

10. Adele - 19

Aproveitando o “renascimento do soul” promovido por Amy Winehouse, o mercado tratou de encontrar outras divas. Adele foi uma delas. “19”, porém, está longe de ser um mero produto de oportunidade. O som de Adele é mais simples, mais direto, não tem aquela “pompa” de Winehouse. Várias são as músicas em que o vozeirão da menina é acompanhado por apenas um instrumento, que às vezes é violão, outras piano ou baixo (que ela mesma toca). Mais intimista, Adele também se aproxima mais do jazz. Altamente recomendado. (Eu tinha mais três nomes disputando essa última vaga. Optei pela Adele para deixar a lista um pouquinho mais eclética).

9. Glasvegas - Glasvegas
O Glasvegas é mais uma banda que bebe das fontes obscuras do rock oitentista. E o faz com grande competência, sabendo dosar perfeitamente a sonoridade nostálgica com as tendências do rock moderno. Apresentando grande influência de Jesus and Mary Chain, esses escoceses apostam em músicas melancólicas, com letras doloridas, ideais para serem tocadas em um palco cheio de fumaça. Os destaques são a magnífica Geraldine e a bela Daddy’s Gone. Ponto negativo: declamar um texto com Moonlight Sonata ao fundo? O Glasvegas pode fazer melhor do que isso...

8. R.E.M. - Accelerate

E após dez anos de lançamentos pouco compreendidos, o R.E.M. finalmente conseguiu retomar aquela pegada enérgica que o consagrou. Accelerate é um disco rápido, pesado e provocador. Balada mesmo, apenas uma, e bem bonita: Until the Day is Done. De resto, sobram guitarras distorcidas, grooves acelerados, tudo aliado às sempre ótimas melodias de Michael Stipe. Destaque para a nervosa Horse to Water e para a ótima Hollow Man (R.E.M. em sua forma mais pura). Obrigatório para qualquer fã de rock/pop.

7. Vampire Weekend - Vampire Weekend
Mais uma banda revelação desse prolífico 2008, o Vampire Weekend busca diversas referências musicais para formar um todo coeso. Podemos identificar pitacos guitarrísticos de Van Morrison, de Strokes, uma ou outra tendência ao reggae (aos moldes do The Police) e até pinceladas de música clássica. Existe ainda um “tempero especial”, que posteriormente eu descobri tratar-se de afro-beat. Extremamente doce em sua excentricidade, o Vampire Weekend pode não encantar na primeira audição, mas se torna irresistível quando recebe a atenção que merece. Não vou destacar nenhum faixa: esse disco faz mais sentido quando ouvido integralmente, de uma só vez.

6. Metallica - Death Magnetic
E finalmente veio o álbum que todo mundo esperava há mais de quinze anos. Death Magnetic marca o retorno do Metallica ao heavy metal, ainda que não se trate exatamente da “volta às origens” que tanto tem se falado. Disco-síntese, possui a técnica e a progressividade de ...and Justice For All, mas não deixa aquela energia rockeira (mais “popular”) dos anos noventa de lado e, por esse aspecto, esse trabalho mais se aproxima do Black Album do que de qualquer outro disco da banda. E, assim como naquela época, o Metallica voltará a ser o responsável por uma nova reaquecida no cenário da música pesada, mostrando ser mais importante para o metal do que o metal é para ele.

5. Portishead - Third
Onze anos após seu último disco, auto intitulado, o já lendário Portishead finalmente volta à ativa, e o faz em grande estilo. Third, porém, deve ser ouvido com cautela. Não é um disco para qualquer hora do dia. Depressivo e minimalista, o disco desperta uma infinidade de sensações no ouvinte. A banda livra-se de pudores ao lançar diversas sonoridades repetitivas e ao rasgar belas melodias com uma barulheira quase psicodélica. Não deixem de ouvir We Carry On e The Rip, duas obras primas de beleza desorientadora. Uma verdadeira evolução daquele trip hop que os consagrou na década de 90, Third é lindamente perturbador.

4. Black Mountain - In the Future
Mais uma banda de horizonte setentista, mais um álbum indispensável. Fãs de Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple e do rock progressivo em geral vão pirar ouvindo “In The Future”. Músicas longas, riffs certeiros, teclados grandiosos e muita psicodelia. Existem aqui desde canções “épicas”, como Tyrants e Bright Lights, até baladinhas meio hippies (que lembram Neil Young), como Stay Free e Angels (fantástica!!!!). A banda se sai maravilhosamente bem em ambos os casos. Dignas de aplausos são a atuação do guitarrista/vocalista Stephen McBean e a participação - tímida, mas essencial - da vocalista Amber Webber, que é o principal diferencial do Black Mountain. Excelente!

3. Hot Chip - Made in the Dark
A grande qualidade do Hot Chip é saber unir a essência da música eletrônica com melodias açucaradas. Desse modo, a banda é eficiente tanto na pista de dança quanto em casa, em uma tarde de domingo. Em Made in the Dark, temos desde canções “nervosas”, como Out at the Pictures, até baladinhas bastante sentimentais, como a faixa título e In the Privacy of Our Love. E o mais interessante de tudo isso é que, em nenhum momento, o disco perde o equilíbrio: pode-se ouvi-lo do início ao fim, sem nunca duvidar de que é o Hot Chip quem está ali. Boa música, sem espaço para preconceitos.

2. Fleet Foxes - Fleet Foxes
Tarefa complicada classificar essa banda! Éééé... imaginem o Beach Boys, mas troquem o cenário praiano por um cenário rural. Medieval, talvez. Esse é o Fleet Foxes. Simon & Garfunkel e Crosby, Stills and Nash também podem servir como referência. Temos aqui arranjos delicados, belos dedilhados e vocais harmônicos que nos brindam com melodias absolutamente encantadoras. A verdade é que tudo nesse disco é tão honesto, tão “bem acabado”, que é impossível não se apaixonar. Indicado para qualquer fã de música, qualquer que seja o estilo de preferência. Perfeito.

1. The Raconteurs - Consolers of the Lonely
Quer você goste de Jack White, quer não, é impossível negar que o cara tem uma qualidade quase extinta entre os guitarristas do rock atual: autenticidade. Ouvimos um riff e, seja pelo timbre, seja pela técnica ou pela construção, logo sabemos que é obra dele. Essa característica, consolidada no White Stripes, é também uma presença marcante no Raconteurs. Some-se a isso o talento de Brendan Benson, vocalista de voz suave e melodias cativantes. Em Consolers of the Lonely, White, Benson e Cia retomam toda aquela energia do rock dos anos setenta, quando técnica e feeling se alinhavam com perfeição, remetendo fortemente às obras de bandas como Led Zeppelin e Lynyrd Snynyrd. O Raconteurs desperta o espírito daquele rock puro, legítimo e intuitivo. Tente não se empolgar com a animada Attention, não cantarolar com o refrão de Many Shades of Black, ou não ficar paralisado com a intensidade de Carolina Drama. Obra prima, obrigatória em qualquer coleção de rock que se preze. Lalalalá Lalalalá! Yeah! Lalalá! Lalalá! Ouçam já!

6 Comentários:

Blogger saintfalbo disse...

Fleet Foxes é muito bom. REM é magnanimo. Metallica ainda num ouvi. portished tb não. e esse racounters eu num lembro do som.

hahahahaha

Francisco vc foi visto acampando na fila pro show da madonna, postando com um modem 3G e notebook. confere?

17 de dezembro de 2008 18:15  
Blogger Francisco Marques disse...

oras!!! que mentira deslavada... todo mundo sabe que quem vai na pista vip não precisa acampar e.... digo....

além do mais, acho q quem cobrirá tal evento será a Ally, não eu...

17 de dezembro de 2008 18:24  
Blogger Ainiledhel disse...

Rs... ainda bem que não colocou o Watershed!!!achei anos luz abaixo do Ghost Reveries!!

vou ouvir vários dos que sugeriu... principalmente o do Portished! :) Ainda mais com o seu comentário sobre ser "Depressivo"... rs :)

Bom... é isso aih!

Bjinhos!

Pah :)

17 de dezembro de 2008 18:47  
Blogger André disse...

Gostei do Fleet Foxes!! Meio doido mas bem diferente!!!
Com a Portished, quase dei um tiro na testa e achei melhor parar de ouvir!
Esperava mais da Adele, ela tem uma voz bem potente, mas o arranjo é simples demais... vai ver eu queria algos mais 60's!

Um sugerimento: em vez de colocar a foto do CD, vc poderia colocar um clipe!! Ai me poupava de ir no youtube!!! hehhehehe

Abraço
ps: não vi todas as bandas...

22 de dezembro de 2008 14:05  
Blogger Francisco Marques disse...

Então, apesar de a comparação com a A. Winehouse ser inevitável, acho que o diferencial da Adele é justamente ser mais intimista, com aquele clima mais jazzistico... não tem a mesma potência....

q legal, Fleet Foxes já tem dois votos na "votação dos leitores", hehehehe.... valeu, gostei dos comentários...

22 de dezembro de 2008 20:03  
Anonymous samirjb disse...

Lista legal cara, apesar de minha quase completa discordância haha se não te conhecesse, até diria que o sr. não ouviu muitos álbuns em 2008, mas sei que é muito pelo contrário :-)

Destaco o Fleet Foxes, que é bem sacado mesmo (e vc falou em Beach Boys: Brian Wilson lançou um álbum primoroso tb!)... o Hot Chip (uma bela recomendação que o sr. me fez no meio do ano, aliás)... e o METALLICA, assino embaixo de tudo que vc falou, perfeito... agora, esse Raconteurs em primeirão, por ex, não sei não, depois de algumas ouvidas eu até achei legais algumas das músicas de ambos os CDs, mas ainda se encontra há alguns (muitos) passos da criatividade que o cara mostra nos Stripes...

E, bem, na minha lista eu destacaria o retorno triunfal de duas bandas: o Hard Rock variado e empolgante do EXTREME, e a insanidade complexa e criativa do CYNIC... assim como a volta do KIP WINGER a sua brilhante carreira solo, sempre muito inspirada e diversificada, excelente compositor... e o AYREON: Arjen Lucassen lançou seu melhor álbum (se bem que é meio impossível dizer qual o melhor), fora o novo time de estrelas que reuniu... CD DO ANO!!!!

4 de janeiro de 2009 18:44  

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