Cobertura: Keane em São Paulo
Dois anos após a primeira passagem, o Keane retornou ao Brasil, dessa vez para divulgar Perfect Symmetry, seu último álbum de estúdio. E se este é certamente o mais diferente de seus trabalhos, suas peculiaridades se refletiram também em cima do palco, não apenas no viés sonoro, mas também no estrututal: se antes a banda se sustentava com apenas um teclado/piano e uma bateria, agora conta também com um baixo, nas mãos do recém admitido Jesse Quinn (que também toca teclado), e com uma tímida guitarra, entregue ao vocalista Tom Chaplin.
Mas comecemos do início, isto é, com a banda de abertura. Em 2007, eu reclamei da escalação do Moptop (a cuja apresentação não assisti). Em 2009, aprendi que não se deve reclamar de barriga cheia, já que, dessa vez, mandaram um pessoal muito pior: os emos do Fresno. Não entendi a escolha. Em primeiro lugar, os públicos são totalmente distintos. Além disso, o Fresno poderia tranquilamente encher o Credicard Hall com sua fanzada histérica e chorosa, de modo que sua escalação como opening act pareceu-me desnecessária. Novamente, é claro, não assisti a apresentação do grupo. Fiquei no corredor conversando e comendo pipocas.
O Keane subiu ao palco pontualmente às dez e meia, com a ótima The Lovers are Losing, que é um dos melhores momentos do disco Perfect Symmetry. Esse álbum, como não poderia deixar de ser, serviu de base para a formação do set list e, assim como em estúdio, funcionou melhor nas baladinhas (Play Along e You Don’t See Me, essa última com fortes referências ao U2). Algumas canções mais pesadas, como Again and Again e You Haven’t Told Me Anything pecaram por ferir justamente o maior trunfo da banda, que é a sutileza. Ambas flertam diretamente com o mais espalhafatoso rock dançante oitentista e definitivamente não combinaram com a apresentação. Em relação aos dois primeiros discos, as escolhas foram seguras mas, comparando com o set de 2007, apenas uma música foi incluída: a lindíssima Sunshine, que lembra bastante aquelas músicas viajantes que o Alan Parsons Project gostava de fazer pelos idos de 1980. De resto, brilharam as músicas mais enérgicas, como Crystal Ball, Leaving So Soon e Is it Any Wonder?, todas recebidas alegremente pelos fãs. Somewhere Only We Know, aquela cantiga que todo mundo conhece mas nem todos sabem de quem é, também marcou presença. Algumas músicas relevantes, como The Frog Prince e She Has No Time, ainda não tiveram chance nos set lists da banda. Pena. (Tirar A Bad Dream também foi pouco educado....)
Apesar de toda a banda ser competente e de o tecladista Tim Rice-Oxley ser o principal compositor do conjunto, é inegável que, em cima do palco, o grande destaque é Tom Chaplin. Já disse isso em 2007 e repito: o rapaz é de uma simplicidade tocante e se entrega totalmente à apresentação. Hoje posso dizer, sem medo de errar, que se trata de uma das vozes mais precisas do novo rock/pop. Grandes interpretações, de afinação impecável, tanto nas músicas “românticas” quanto nas “nervosas” (será o novo Bono? Hihihihi). “Under Pressure”, cover do Queen, veio logo no início do bis e apenas confirmou o talento do jovem britânico, que interpretou maravilhosamente bem as melodias de David Bowie e Freddy Mercury (com falsetes e tudo). Bela versão, ó:
Claramente empolgados com os gritos de “Olê! olê, olê, olê! Kinê! Kinê!” (será que eles entenderam isso?), os quatro rapazes não pouparam energias, e o vocalista Tom Chaplin retribuiu com diversas frases elogiosas em português. Algumas um tanto forçadas, é verdade, como “o Brasil é o coração do mundo” e “Obrigado ao Fresno”. Como sempre, cumprindo fielmente uma espécie de “contrato velado”, o artista elogia, o público finge que acredita, e assim temos uma ótima interação, indispensável para o andamento de um bom show. E agradar os fãs certamente não é problema para o Keane: com simpatia, piano e belas melodias, é impossível não se deixar contagiar pelo clima que a banda cria.
Tom Chaplin rege o público no clássico Somewhere Only We Know:
O show de 2007 foi melhor, devo confessar. Talvez por ser a estréia da banda em terras brasileiras, o público estava mais pilhado. O palco também estava mais bonito e a performance de Chaplin foi (ainda) melhor. Apesar disso, já é possível dizer que o Keane é, definitivamente, uma banda de palco. Investimento garantido para quem gosta de boa música.
Set list: The Lovers are Losing, Everybody's Changing, Bend and Break, Nothing in my Way, Again and Again, Atlantic, This is the Last Time, Spiralling, Play Along, Try Again, Sunshine, You Haven't Told Me Anything, Leaving So Soon?, You Don't See Me, Perfect Simmetry, Somewhere Only We Know, Crystal Ball, Under Pressure, Is It Any Wonder?, Bedshaped
Mas comecemos do início, isto é, com a banda de abertura. Em 2007, eu reclamei da escalação do Moptop (a cuja apresentação não assisti). Em 2009, aprendi que não se deve reclamar de barriga cheia, já que, dessa vez, mandaram um pessoal muito pior: os emos do Fresno. Não entendi a escolha. Em primeiro lugar, os públicos são totalmente distintos. Além disso, o Fresno poderia tranquilamente encher o Credicard Hall com sua fanzada histérica e chorosa, de modo que sua escalação como opening act pareceu-me desnecessária. Novamente, é claro, não assisti a apresentação do grupo. Fiquei no corredor conversando e comendo pipocas.
O Keane subiu ao palco pontualmente às dez e meia, com a ótima The Lovers are Losing, que é um dos melhores momentos do disco Perfect Symmetry. Esse álbum, como não poderia deixar de ser, serviu de base para a formação do set list e, assim como em estúdio, funcionou melhor nas baladinhas (Play Along e You Don’t See Me, essa última com fortes referências ao U2). Algumas canções mais pesadas, como Again and Again e You Haven’t Told Me Anything pecaram por ferir justamente o maior trunfo da banda, que é a sutileza. Ambas flertam diretamente com o mais espalhafatoso rock dançante oitentista e definitivamente não combinaram com a apresentação. Em relação aos dois primeiros discos, as escolhas foram seguras mas, comparando com o set de 2007, apenas uma música foi incluída: a lindíssima Sunshine, que lembra bastante aquelas músicas viajantes que o Alan Parsons Project gostava de fazer pelos idos de 1980. De resto, brilharam as músicas mais enérgicas, como Crystal Ball, Leaving So Soon e Is it Any Wonder?, todas recebidas alegremente pelos fãs. Somewhere Only We Know, aquela cantiga que todo mundo conhece mas nem todos sabem de quem é, também marcou presença. Algumas músicas relevantes, como The Frog Prince e She Has No Time, ainda não tiveram chance nos set lists da banda. Pena. (Tirar A Bad Dream também foi pouco educado....)
Apesar de toda a banda ser competente e de o tecladista Tim Rice-Oxley ser o principal compositor do conjunto, é inegável que, em cima do palco, o grande destaque é Tom Chaplin. Já disse isso em 2007 e repito: o rapaz é de uma simplicidade tocante e se entrega totalmente à apresentação. Hoje posso dizer, sem medo de errar, que se trata de uma das vozes mais precisas do novo rock/pop. Grandes interpretações, de afinação impecável, tanto nas músicas “românticas” quanto nas “nervosas” (será o novo Bono? Hihihihi). “Under Pressure”, cover do Queen, veio logo no início do bis e apenas confirmou o talento do jovem britânico, que interpretou maravilhosamente bem as melodias de David Bowie e Freddy Mercury (com falsetes e tudo). Bela versão, ó:Claramente empolgados com os gritos de “Olê! olê, olê, olê! Kinê! Kinê!” (será que eles entenderam isso?), os quatro rapazes não pouparam energias, e o vocalista Tom Chaplin retribuiu com diversas frases elogiosas em português. Algumas um tanto forçadas, é verdade, como “o Brasil é o coração do mundo” e “Obrigado ao Fresno”. Como sempre, cumprindo fielmente uma espécie de “contrato velado”, o artista elogia, o público finge que acredita, e assim temos uma ótima interação, indispensável para o andamento de um bom show. E agradar os fãs certamente não é problema para o Keane: com simpatia, piano e belas melodias, é impossível não se deixar contagiar pelo clima que a banda cria.
Tom Chaplin rege o público no clássico Somewhere Only We Know:
O show de 2007 foi melhor, devo confessar. Talvez por ser a estréia da banda em terras brasileiras, o público estava mais pilhado. O palco também estava mais bonito e a performance de Chaplin foi (ainda) melhor. Apesar disso, já é possível dizer que o Keane é, definitivamente, uma banda de palco. Investimento garantido para quem gosta de boa música.
Set list: The Lovers are Losing, Everybody's Changing, Bend and Break, Nothing in my Way, Again and Again, Atlantic, This is the Last Time, Spiralling, Play Along, Try Again, Sunshine, You Haven't Told Me Anything, Leaving So Soon?, You Don't See Me, Perfect Simmetry, Somewhere Only We Know, Crystal Ball, Under Pressure, Is It Any Wonder?, Bedshaped
1 Comentários:
"OxI eU To TixTi"
(Um emucho qualquer, após ler este texto)
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Início