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Neologismo cunhado por Bledorn Verri. Une o verbo sugerir [(lat suggerere) 1 Fazer vir à mente; aventar] com o sufixo mento, utilizado na formação de substantivo derivado de verbo para indicar ação. Em sua arenga, Bledorn Verri traça paralelo com outro vocábulo possuidor de tal sufixo - conhecimento - tem-se, então, que o termo é o ato de sugerir com know-how, com sapiência. O fim desse blog é propor ao interlocutor uma leitura que doravante lhe seja útil em sua vida cultural cotidiana.
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Olá! Como vão?
PS: Assim como aconteceu na vinda do Radiohead, o canal Multishow fará uma maratona Oasis, a partir do dia 2 de maio, mostrando documentários, entrevistas, etc. E, o melhor de tudo, transmitirá, ao vivo, o show do Rio de Janeiro, no dia 7. Que beleza!
O Keane subiu ao palco pontualmente às dez e meia, com a ótima The Lovers are Losing, que é um dos melhores momentos do disco Perfect Symmetry. Esse álbum, como não poderia deixar de ser, serviu de base para a formação do set list e, assim como em estúdio, funcionou melhor nas baladinhas (Play Along e You Don’t See Me, essa última com fortes referências ao U2). Algumas canções mais pesadas, como Again and Again e You Haven’t Told Me Anything pecaram por ferir justamente o maior trunfo da banda, que é a sutileza. Ambas flertam diretamente com o mais espalhafatoso rock dançante oitentista e definitivamente não combinaram com a apresentação. Em relação aos dois primeiros discos, as escolhas foram seguras mas, comparando com o set de 2007, apenas uma música foi incluída: a lindíssima Sunshine, que lembra bastante aquelas músicas viajantes que o Alan Parsons Project gostava de fazer pelos idos de 1980. De resto, brilharam as músicas mais enérgicas, como Crystal Ball, Leaving So Soon e Is it Any Wonder?, todas recebidas alegremente pelos fãs. Somewhere Only We Know, aquela cantiga que todo mundo conhece mas nem todos sabem de quem é, também marcou presença. Algumas músicas relevantes, como The Frog Prince e She Has No Time, ainda não tiveram chance nos set lists da banda. Pena. (Tirar A Bad Dream também foi pouco educado....)
Apesar de toda a banda ser competente e de o tecladista Tim Rice-Oxley ser o principal compositor do conjunto, é inegável que, em cima do palco, o grande destaque é Tom Chaplin. Já disse isso em 2007 e repito: o rapaz é de uma simplicidade tocante e se entrega totalmente à apresentação. Hoje posso dizer, sem medo de errar, que se trata de uma das vozes mais precisas do novo rock/pop. Grandes interpretações, de afinação impecável, tanto nas músicas “românticas” quanto nas “nervosas” (será o novo Bono? Hihihihi). “Under Pressure”, cover do Queen, veio logo no início do bis e apenas confirmou o talento do jovem britânico, que interpretou maravilhosamente bem as melodias de David Bowie e Freddy Mercury (com falsetes e tudo). Bela versão, ó:

O problema é que esse Oscar é o mais fraco desde 2004, quando o Senhor dos Anéis ganhou tudo. Eu até gosto do filme, mas é inegável que aquela premiação foi viciada. O Oscar 2009 peca por ter demasiada cara de Oscar! Isto é, filmes grandiosos na bilheteria e no orçamento, mas pequeninos na qualidade e na ambição cinematográfica. Todas as produções possuem um sabor requentado, desgastado. São filmes que já vimos antes e que tornaremos a ver, nos próximos anos. Nenhum Onde os Fracos Não Têm Vez. Ou Brokeback Mountain. Capote? Nope. Nada de Pequena Miss Sunshine, nem Juno. Pelo contrário, o “filme pequeno” da vez carrega todas as características que aprazem a Academia e, não por acaso, é o favorito da noite. Falo de Quem quer ser Milionário, obra no máximo simpática do irregular Danny Boyle. Deve levar cinco ou seis estatuetas (entre elas a de Melhor Filme e de Melhor Diretor). Do outro lado, temos o líder de indicações, O Curioso Caso de Benjamin Button, que é a grande ovelha negra na carreira do competente David Fincher, responsável por Seven, Clube da Luta, entre outros. Um filme chato, previsível e boboca (e com uma atuação extremamente apagada do indicado Brad Pitt). Entre os indicados para Melhor Filme, restam ainda Frost/Nixon, que seria um projeto bastante ambicioso, se não tivesse sido entregue ao fraco Ron Howard (que, para variar, estragou tudo), O Leitor, que é apenas bonzinho, e Milk, que ainda não assisti (mas que tem o trunfo de contar com o único diretor incontestavelmente competente, entre os cinco indicados).
Mas se alguma coisa merece atenção nessa cerimônia, são os atores. Estão entre os concorrentes alguns dos nomes mais relevantes do cinema norte-americano atual, entre eles Sean Penn, Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Heath Ledger, Kate Winslet, Amy Adams e Josh Brolin, sem esquecer o retorno arrebatador de Mickey Rourke. Todos em grandes atuações (lembrando que ainda não vi Milk). Alguns duelos interessantes se desenham: Penn X Rourke é o mais equilibrado, com a balança pendendo para o lado de Penn, devido aos respectivos backgrounds. Winslet X Streep também merece atenção, apesar de Winslet ser a grande favorita (eu prefiro a atuação de Streep. A performance dela no trecho final de Dúvida é inacreditável. Qualquer outra atriz transformaria aquele diálogo em algo brega e caricato; mas não Meryl Streep). Já os coadjuvantes parecem bem encaminhados: Penélope Cruz e Heath Ledger devem levar, merecidamente.
De resto, nada de muito interessante. Quem quer ser Milionário deve sair soberano (meu deus, hein), enquanto Benjamin Button e Batman devem dividir os prêmios técnicos. Wall-E ganhará o prêmio de Melhor Animação e briga com Milk pela estatueta de Melhor Roteiro Original. Outra animação, a israelense Waltz with Bashir, deve vencer na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Por fim, a festa foi definitivamente arruinada na semana passada, quando Peter Gabriel anunciou que não se apresentará, devido ao pouco tempo disponibilizado às canções na cerimônia.
E a notícia mais bombástica veio do Led Zeppelin, que anunciou a pretensão de gravar um novo disco. Uma beleza mesmo, mas existe um “porém”: sem Robert Plant. Seria um grande desafio. Ainda que Plant não tenha mais aquela potência de outrora, qualquer vocalista que assumisse o posto entraria em uma bela fria. Ian Astbury e Paul Rodgers que o digam. A diferença é que Jim Morrisson e Freddy Mercury já não estão mais entre nós, de modo que podem até ser homenageados, fazendo com que seus substitutos atuem quase como “mestres de cerimônias”. Isso não acontecerá com Plant. Já posso imaginá-lo, de óculos escuros e sobretudo, escondido nas sombras do Royal Albert Hall, no show de estréia da nova formação, em meio a murmúrios de “é ele? é ele?Acho que é ele, sim!”. Já existem dois “candidatos” para a vaga: Chris Cornell (Soundgarden, Audioslave) e Steven Tyler (Aerosmith). Nos próximos meses, aparecerão mais uns vinte....
Finalmente confirmado o show do Peter Murphy, ex-vocalista de uma das mais importantes bandas do rock gótico, o Bauhaus. A apresentação, que aconteceria em janeiro, acabou ficando para fevereiro, e acontecerá no Via Funchal (dia 14). Murphy tem uma carreira solo bastante consistente, e deve tocar quase todos seus "sucessos", como Cuts You Up, Strange Kind of Love e a maravilhosa Marlene Dietrich's Favourite Poem (All Night Long não tem aparecido nos últimos set lists, mas a esperança é a última que morre). E é claro, deve sobrar um ou outro clássico do Bauhaus, como She’s in Parties ou Bela Lugosi’s Dead.
A nova Anna Karina?
Quando foi anunciado que Fernando Meirelles faria um filme baseado no clássico literário Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, todos se perguntaram como ele faria para filmar uma história em que quase todo mundo é cego. Mais do que isso, como ele transporia para a tela o tema “cegueira”. Meirelles, diretor competente que é, achou sua solução: imagens embaçadas, planos disformes, e muita luz branca estourando nos olhos do espectador, como que o convidando para partilhar do desespero dos personagens. Conseguiu um filme visualmente interessante, às vezes até bastante belo. E só isso. Meirelles parece se aproveitar de uma grande história para simplesmente exercitar-se estilisticamente. Resultam daí uma série de planos pouco significativos e um certo esvaziamento do roteiro. Sem Saramago, a trama se torna frágil, comum. Nada muito diferente de “O Nevoeiro”, filme dirigido por Frank Darabont, baseado em romance de Stephen King. Evidentemente, este aposta em textos muito mais “cinematográficos” do que aquele, de modo que o desafio em Cegueira era bem maior. Esqueçamos do livro, nossa “base de segurança”, e o que temos é uma boa idéia e um filme elegante. Nada mais.
Andam dizendo por aí que existe a possibilidade de a animação Wall-E concorrer ao Oscar de Melhor Filme. Seria um verdadeiro absurdo, até mesmo para os fanfarrões da Academia. Um total desrespeito á integridade da arte cinematográfica. Se existe a categoria “Melhor Animação”, onde essa produção pode concorrer com seus pares, não existe razão para eliminar um candidato “filmado” da disputa principal. Não quero menosprezar a arte da animação, que vem produzindo obras bastante aclamadas, mas considero disparatada a mera tentativa de igualá-la ao cinema. Imaginem vocês: se continuar assim, daqui a alguns anos, teremos Meryl Streep concorrendo com uma robozinha, Phillip Seymour Hoffman com um ratinho, etc. Esse Oscarito, viu!